Ficar
à escuta.
À escuta
do silêncio
Adília Lopes.
Mandei-lhe uma carta em papel perfumado e com a letra bonita eu disse ela tinha um sorrir luminoso tão quente e gaiato como o sol de Novembro brincando de artista nas acácias floridas espalhando diamantes na fímbria do mar e dando calor ao sumo das mangas. sua pele macia - era sumaúma... Sua pele macia, da cor do jambo, cheirando a rosas tão rijo e tão doce - como o maboque... Seu seios laranjas - laranjas do Loge seus dentes... - marfim... Mandei-lhe uma carta e ela disse que não. Mandei-lhe um cartão que o Maninjo tipografou: "Por ti sofre o meu coração" Num canto - SIM, noutro canto - NÃO E ela o canto do NÃO dobrou. Mandei-lhe um recado pela Zefa do Sete pedindo rogando de joelhos no chão pela Senhora do Cabo, pela Santa Ifigénia, me desse a ventura do seu namoro... E ela disse que não. Levei à avó Chica, quimbanda de fama a areia da marca que o seu pé deixou para que fizesse um feitiço forte e seguro que nela nascesse um amor como o meu... E o feitiço falhou. Esperei-a de tarde, à porta da fábrica, ofertei-lhe um colar e um anel e um broche, paguei-lhe doces na calçada da Missão, ficamos num banco do largo da Estátua, afaguei-lhe as mãos... falei-lhe de amor... e ela disse que não. Andei barbado, sujo, e descalço, como um mona-ngamba. Procuraram por mim " - Não viu...(ai, não viu...?) Não viu Benjamim?" E perdido me deram no morro da Samba. E para me distrair levaram-me ao baile do sô Januário mas ela lá estava num canto a rir contando o meu caso às moças mais lindas do Bairro Operário Tocaram uma rumba dancei com ela e num passo maluco voamos na sala qual uma estrela riscando o céu! E a malta gritou: "Aí Benjamim!" Olhei-a nos olhos - sorriu para mim pedi-lhe um beijo - e ela disse que sim.Viriato da Cruz
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| Portugal. Eu tenho vinte e dois anos e tu às vezes fazes-me sentir como se tivesse oitocentos. Jorge Sousa Braga |
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| o poema é quando eu podia dormir até tarde nas férias do verão e o sol entrava pela janela. José Luís Peixoto. |
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| Era uma vez um país onde entre o mar e a guerra vivia o mais infeliz dos povos à beira-terra... Ary dos Santos. Última fotografia sobre desenho da minha filha Carolina... |
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| Senhores dos planos de urbanização responsáveis pela paisagem cuidado com o poeta na cidade. Não há nem pode crescer na rua árvore mais inútil que a palavra do poeta. Ruy Belo |
| Tenho uma coisa que eu te posso dar que é o vento a vir atrás do verde e a dizer azul no teu cabelo. Pedro Tamen |
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| És tu a Primavera que eu esperava, A vida multiplicada e brilhante, Em que é pleno e perfeito cada instante. Sophia de Mello Breyner Andersen |
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| Para bem da cidade, do País, da cultura é preciso encontrar o casal fugitivo que inventou o amor com carácter de urgência. Daniel Filipe. A invenção do Amor. |
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| Desta janela de ar e ansiedade podemos ver compor-se a primavera lentamente por cima das casas. Gastão Cruz |