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sexta-feira, 1 de julho de 2011

Portugal.

Portugal.
Eu tenho vinte e dois anos e tu às vezes fazes-me sentir
como se tivesse oitocentos.

Jorge Sousa Braga

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

A erva da fortuna


A erva da fortuna cresce como por encanto nas orelhas
dos políticos, o primeiro ministro proclama a amnistia
para os cucos dos relógios, o degelo nas relações inter-
nacionais restabelece o nível das águas nas albufeiras,
o ministro da energia esfrega as mãos de contente.
Embora o boletim meteorológico seja controlado pelo
governo, nuvens cor de chumbo toldam frequentemente
o horizonte, os pescadores de águas turvas procuram o
alto mar, uma chuva de impostos cai de imprevisto ah
a chuva na primavera, escrevem os poetas.

As andorinhas podem passar livremente a fronteira. Os
polícias oferecem grinaldas aos condutores de veículos
mal estacionados. O cio invade a assembleia. Os depu-
tados bombardeiam-se com pólen. Um nostálgico do
outono argumenta: a primavera de Praga também foi
de lagartas nas estradas.
Jorge de Sousa Braga
Fotografia tirada no Meco.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Gerês(com fotografia de Lisboa)


Quando me levantei já as minhas sandálias andavam a passear lá fora na relva. 
Esta noite até os atacadores dos sapatos floriram.
Jorge de Sousa Braga